Quando tu não estás comigo, fico sem voz de comando, ninguém me diz nada porque as pessoas falam mas eu não as oiço, escuto apenas o teu coração a bater junto ao meu, a tua respiração de suspiros, os teus gemidos de arrepio quando te passo as mãos pelos braços e estes se eriçam como pelos de gato; escuto apenas a tua pele cujo cheiro reconheci antes mesmo de lhe tocar, a música dos teus cabelos quando escorrem pelas minhas mãos como água doce e tu sorris como uma miúda e eu tenho vontade de nunca mais te largar. Longe de ti não sei se estou perdido, apenas sei que me sinto só, e só penso em voltar para o teu lado.

Como de ti já não tenho nada, resta-me fechar as portas e desejar que encontres o que queres no caminho que escolheste.

Devia ter ficado quieta mais vezes, devia ter respeitado o teu silêncio e o teu espaço, deixar-te em paz em vez de te pedir o mundo, porque iria sempre amar-te, estivesses ou não ao meu lado, porque fazes parte de mim, mesmo sem saber se és a primeira ou a última peça do meu dominó.

Amava tanto que tinha medo desse amor.

Os nossos corpos encolhidos e as palavras de amor, segredadas ao ouvido, que agradecem e perdoam ao mesmo tempo.

Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes.

Quando o mundo nos abandona, a solidão é tolerável; mas quando nós mesmos nos abandonamos, ela é insuportável.

Quando se ama desesperadamente uma pessoa, nunca se aceita a sua perda. E acabamos por procurar, em outras pessoas bocados daquela, como se fosse possível fazer um puzzle com peças de diferentes jogos.

O amor encerra este paradoxo, este absurdo doentio e insolúvel: podemos querer bem a quem nos quer mal. Ou fazer mal, a quem nos quer bem.

Isto de perder a esperança, dói que se farta.

A vida continua a separar-nos.

Porque é que amar alguém implica esta entrega, e esta dependência e todo o sofrimento que dai pode vir? Porque é que não sabemos amar e deixar voar aqueles que amamos?

Tento esquecer-te. Deixei de falar de ti e de dizer o teu nome, deixei de o desenhar no espelho da casa de banho, quando o vapor inunda todas as superfícies. Em vez disso, tenho o coração embaciado de dúvidas e o olhar desfocado pelo absurdo do teu silêncio continuado, o olhar de quem aprende a adaptar-se a uma luz desconhecida, a uma nova realidade.

Lembro-me de pensar demasiadas vezes, mas talvez não as suficientes, que não te queria sufocar, nunca te quis sufocar.

Saboreava os teus regressos como momentos eternos e irrepetiveis - e percebi que tinha descoberto a essência do amor.
Hoje apetece-me pensar que me enganaste, que nunca me amaste, e que, em vez disso andaste a brincar, ainda que de uma forma séria.
Se calhar sou doida, sofro da mais antiga enfermidade do ser humano e que ainda nenhum cientista se lembrou de diagnosticar, estudar e classificar como uma patologia: não sei viver sem amor.

Tem uma cara perfeita, uma boca desenhada para sorrir devagarinho, com atenção, olhos profundos, perturbadores e misteriosos, um ar vagamente triste e a distância de quem, de tanto se concentrar no essencial, parece um pouco distraída.
O silêncio que se desprende da sua imagem frágil e doce acentua o mistério e a cerimónia com que olhamos para ela.
É ainda mais bonita do que na fotografia da capa do seu livro de bolso, onde parece uma musa, um ser divino e inspirador.
[...]
O ar naturalmente sedutor de quem se perdeu e se encontrou, de quem riu e chorou, de quem sabe, porque sente, que nada na vida acontece por acaso.
[...]
Hipnotizada pelos gestos mas, também pela tranquilidade da sua figura, sento-me de frente para ela. Para aqueles olhos que nos olham de uma maneira diferente e perscrutante. Intrigante também, pois sentimo-nos ao mesmo tempo confortáveis e expostos. Como se pelo olhar nos medisse a alma.
Na realidade é isso que [...] faz, trespassa-nos com aqueles seus olhos que ouvem, e no fim, deixa-nos com a certeza (e o estranho alivio) de que ficou a conhecer-nos melhor por dentro do que por fora.
A sua primeira presença é forte mas não intimidade, [...].
A sua capacidade de acreditar na vida, de sonhar e cumprir todos e cada um dos seus sonhos é notável e deixa-nos com uma profunda sensação de desperdício por todas as horas e minutos que vivemos distraídos.

Ambos sabemos que tens medo de mim e medo de ser feliz. E ambos sabemos que, à tua maneira, me sabes amar, apesar de todas as desculpas inteligentes, de todos os medos, de todas as dúvidas.